Gente ainda é essencial
A maioria dos clientes quer acesso a uma pessoa.
Cristiano Chaves, da Flipnet, e Leila Beatriz Cardoso, diretora de Pós-Venda da Cortex, debateram com mediação de Thais Sterenberg, CEO da Elephan.ai, como dividir o trabalho entre IA e pessoas no atendimento e no CS, por que dados conectados vêm antes dos agentes e como transformar conversas em ações de retenção e expansão.

Sócio, CMO e CS · Flipnet

Post Sales Executive Director · Cortex

CEO e cofundadora · Elephan.ai
Em uma frase
A IA no pós-venda não existe para substituir pessoas nem para impedir o contato. Ela automatiza o operacional, conecta dados de conversas e uso, e libera o time para antecipar riscos e construir valor com o cliente.
Thais abriu o painel com um paradoxo. Segundo a Gartner, metade dos clientes diz que a IA generativa facilita o atendimento, mas 87% consideram essencial ter acesso a uma pessoa. Uma pesquisa da Qualtrics com mais de 7 mil consumidores mostra que a capacidade de entender o problema é o que mais se associa à resolução, e é justamente onde a IA tem o pior desempenho. Ao mesmo tempo, os times de CS vivem sobrecarregados com tarefas operacionais: registrar calls, enviar atas, montar diagnósticos e planos de ação. Muitas empresas correm para comprar IA antes de saber qual processo e qual problema querem resolver. Sem processo e sem dados organizados, a IA escala o que não funciona.
Três camadas para levar IA ao pós-venda
Tarefas de interpretação, síntese e diagnóstico: transcrição de calls, passagem de bastão de vendas para o pós-venda, classificação de contatos e monitoria de qualidade.
A IA prepara, a pessoa decide. É o caso de planos de renovação montados a partir de calls, uso e consumo de conteúdo; preço e negociação continuam com pessoas.
Relacionamento, eventos e comunidades. E o change management: entender que mudança no processo de trabalho o cliente precisa fazer para o produto entrar na rotina dele.
CRM, ferramenta de transcrição, gestão de CS e tickets precisam estar ligados pela mesma chave de cliente, com dados normalizados.
O objetivo não é reduzir custo ou contato, e sim melhorar a experiência. Se o cliente pede um humano, a transferência precisa ser imediata.
Em 2012, Cristiano estruturou do zero a área de CX da Arezzo, com atendimento 100% digital e humanizado. Na automação, tudo o que indicava um problema, como salto quebrado ou entrega atrasada, ia direto para uma pessoa. O robô ficava com o simples, como rastreio, troca e dúvidas de produto.
Cristiano alertou para fornecedores que prometem reduzir 80% dos contatos. Ao testar, muitas automações simplesmente não transferem o cliente para um humano.
Em um projeto para uma empresa de sistemas para restaurantes, a classificação automática de contatos subiu a assertividade de cerca de 70% para 82%. A monitoria de qualidade por IA, numa operação de centenas de milhares de atendimentos por mês, chegou a cerca de 95% de assertividade em cinco meses. Ele citou a NeoAssist como plataforma brasileira que avança na classificação automática.
Na Cortex, além da retenção, o indicador de que os agentes funcionam é o percentual do tempo do time com clientes, e não em tarefas internas.
Antes da normalização, um diagnóstico gerado por IA trouxe um ticket do Zendesk associado ao cliente errado. Depois que HubSpot, transcrições e gestão de CS passaram a usar o mesmo ID, as conversas viraram ações sugeridas, que já entram como tarefas na carteira do cliente.
Um cliente da Cortex precisava renovar justamente quando um novo produto, com preço muito acima do que ele pagava, era lançado. Com as calls de venda de mais de um ano antes, o time recuperou o orçamento e o desconto dado na época. Assim, mostrou que a nova proposta, 2,5 vezes maior em valor absoluto, não era tão discrepante em relação à tabela, e montou o caso de ROI com dados já mapeados.
O time envia resultados parciais a cada 15 dias, a tempo de recuperar o mês, com análises, ideias de campanha e sugestões de influenciadores. Uma ferramenta interna com IA, criada em um dia, gera análises por marca. Cristiano alerta que a análise automática precisa ser lida e virar ação antes de ir para o cliente.
A maioria dos clientes quer acesso a uma pessoa.
O objetivo é a experiência.
Sem normalização, o time deixa de acreditar na IA.
Agentes devem liberar o CS para o consultivo.
Análises parciais permitem agir a tempo.
A gente viveu décadas querendo desrobotizar o atendimento humano, e agora estamos numa era em que estamos loucos para humanizar o atendimento dos robôs. Será que ficou mais fácil o robô ser humano? A gente esqueceu de continuar as relações humanas.
Cristiano Chaves
Sócio, CMO e CS · Flipnet
Isso é reduzir contato ou impedir contato? O principal motivo de uma automação não pode ser reduzir custo ou contato, tem que ser melhorar a experiência do cliente. Aí, naturalmente, você reduz contato de forma muito mais saudável.
Cristiano Chaves
Sócio, CMO e CS · Flipnet
Qualquer implementação de IA ou de plataforma SaaS exige entender qual é a mudança no processo de trabalho que o cliente precisa fazer para inserir aquele produto na rotina dele. Sem esse assessment de negócio, acaba não funcionando.
Leila Beatriz Cardoso
Post Sales Executive Director · Cortex
Essa normalização por trás é super importante, senão você perde a confiança do seu próprio time de atendimento. Ele para de confiar que aquele dado está certo.
Leila Beatriz Cardoso
Post Sales Executive Director · Cortex
Se eu não tenho o processo, se eu não tenho a base de dados, eu posso escalar algo que não funciona. E escalar o que não funciona traz um risco de prejuízo muito grande.
Thais Sterenberg
CEO e cofundadora · Elephan.ai
Título original da sessão
Da reação à antecipação: como a AI está transformando as áreas de CS
Mesma trilha ou etapa
Amanda Alves, fundadora da Revenue Thinkers, abriu o dia mostrando que ter um cargo de RevOps não garante RevOps. Com dados do Panorama Brasileiro de RevOps e um olhar sobre como empresas chinesas organizam a receita, ela propôs pôr o processo do lead ao caixa acima das fronteiras entre áreas.
Marcão Andrade, CSO da 8D Hubify, apresentou oito tendências de IA para operações de receita, com casos reais, e mostrou como estudar, implantar e atravessar a fase em que tudo piora antes de melhorar.
Gabriel Lopes, CEO da Inside, e Bruno Lotfi, da Sólides, debateram com mediação de Tainah Escocard, CBDO da 8D Hubify, as regras de governança que limpam o pipeline, quem decide quando um negócio está perdido e como forecast e contexto dão previsibilidade às vendas.