Tudo bem não acompanhar tudo
Estude com método, no seu ritmo.
Marcão Andrade, CSO da 8D Hubify, apresentou oito tendências de IA para operações de receita, com casos reais, e mostrou como estudar, implantar e atravessar a fase em que tudo piora antes de melhorar.

CSO · 8D Hubify
Em uma frase
Não dá para acompanhar tudo, e tudo bem. O diferencial está em estudar com método, arrumar dados e integrações antes de qualquer agente e preparar a empresa para a queda de produtividade que vem antes do ganho.
Marcão abriu admitindo que, quanto mais estudava IA, mais inseguro ficava. Chegou a passar o aniversário do sogro no notebook, estudando MCP. A sensação de não conseguir acompanhar é comum, e tentar testar tudo ao mesmo tempo derruba a eficiência. Ao mesmo tempo, o modo de trabalhar mudou. Processos ágeis com muitas etapas ficaram lentos, e hoje é possível ouvir o cliente, transcrever a conversa, ajustar e entregar no mesmo dia. O papel do profissional de RevOps muda junto: ele deixa de operar ferramentas e passa a desenhar e governar sistemas.
Os oito temas
Para economizar, a triagem não precisa de um grande modelo de linguagem. Modelos menores (SLMs) ou mais determinísticos classificam pedidos de forma mais rápida e barata, e o LLM entra só depois.
Protocolo que conecta a IA a outras ferramentas. Marcão conectou o Claude ao Plaud, um gravador com IA, e pede posts de LinkedIn ou consultas a todas as reuniões que gravou. Poucos líderes usam esse recurso.
Com Nekt ou Google Cloud, é possível conectar o Gemini ao BigQuery para que a liderança faça perguntas e receba respostas baseadas só nos dados da empresa. A 8D Hubify já usa internamente.
Via MCP, é possível alterar pipeline, pedir resumos e disparar e-mails por comando de texto ou voz. O CRM deixa de ser arquivo e vira motor.
A organização dos dados é responsabilidade da empresa, não do CRM. Bem estruturada, ela destrava a hiperpersonalização.
A 8D Hubify criou em duas semanas um sistema de propostas 100% customizado para uma grande fabricante de painéis de LED. Ele calcula densidade de pixels, frete, serviço e aluguel, e leva a proposta até o ERP e a assinatura.
Em vez de aceitar o “estava caro” do vendedor, todas as interações vão para o data lake. A queda de “temperatura” de cada negócio é associada a causas, como sinal de preço ou sumiço do decisor. As causas viram padrões, e os padrões viram treinamento e alertas em tempo real.
Combinar vários fatores, como uso da plataforma, inatividade, falhas de pagamento e adoção do contrato, e agrupar clientes por receita, churn e NPS.
Marcão equilibra três atitudes: disciplina para o que gera receita agora; aleatoriedade para sair da bolha, com temas e canais diferentes; e teste rápido, sem querer dominar tudo de uma vez.
Comece por integração e dados, depois regras, e só então avance para IA generativa e agentes mais sofisticados. Com a base organizada, o resto flui.
O conceito, de Erik Brynjolfsson, mostra que a produtividade cai antes de subir quando se inova. Para um grupo educacional que perdia matrículas por demora nas respostas, a 8D Hubify treinou uma IA para responder mais de 60 temas. Na primeira rodada, com 227 contatos, a aderência das respostas foi de 67%. Ao ampliar para 447 contatos, ela caiu. Depois de cinco ciclos de criar, testar, observar e ajustar, chegou a 81%, acima da meta de 70%, com cerca de mil contatos.
Uma ferramenta interna de geração de reuniões era pouco usada por quem já estava no time, mas muito usada pelos novos. Por isso, Marcão recomenda eleger defensores do projeto, na liderança e no time, e manter um documento aberto onde qualquer pessoa registra feedbacks, revisados e aplicados com frequência.
Construtor, mantenedor, monitor e usuário. Marcão hoje atua como contribuidor individual, sem liderança direta, para inovar mais rápido. Para ele, o papel de maior impacto é o de enablement: ensinar o time inteiro rende mais do que um especialista sozinho.
A 8D Hubify criou um assistente interno de e-mail marketing com vários agentes. Um deles, apelidado de “Jaiminho”, cuida da entregabilidade. O método empilha contexto: briefing da marca, depois do disparo, assunto, texto e layout. Dá para replicar com prompts ou até uma planilha. Marcão citou a Anthropic como referência pelos prompts de sistema bem construídos, que se somam ao prompt do usuário no mesmo espírito.
Para a Unimed-BH, notícias que os médicos precisavam ler viraram audiocasts de duas vozes gerados com o Gemini e enviados no WhatsApp, com aviso de que foram gerados por IA. Cada áudio leva cerca de 3 minutos para ser produzido e custa menos de R$ 0,30. O próximo passo é o áudio individual, feito com o contexto de cada contato.
Estude com método, no seu ritmo.
A curva J precisa estar no plano.
Integração e dados vêm primeiro.
Enablement multiplica o impacto.
Com MCP, ferramentas deixam de ser arquivo e geradores de texto.
Qualquer tema que você for trabalhar, antecipe para a liderança: vai dar um pouco errado antes de dar certo. Prepare você, a sua equipe, a liderança e os stakeholders para o vale.
Marcão Andrade
CSO · 8D Hubify
O seu CRM deixa de ser um arquivo e vira um motor. A sua IA deixa de ser um gerador de texto e vira um motor. Às vezes o cérebro não capta na mesma velocidade o potencial que a ferramenta libera.
Marcão Andrade
CSO · 8D Hubify
Título original da sessão
Futuro de RevOps com IA: 8 temas para estudar enquanto ainda são diferencial
Mesma trilha ou etapa
Cristiano Chaves, da Flipnet, e Leila Beatriz Cardoso, diretora de Pós-Venda da Cortex, debateram com mediação de Thais Sterenberg, CEO da Elephan.ai, como dividir o trabalho entre IA e pessoas no atendimento e no CS, por que dados conectados vêm antes dos agentes e como transformar conversas em ações de retenção e expansão.
Gabriel Lopes, CEO da Inside, e Bruno Lotfi, da Sólides, debateram com mediação de Tainah Escocard, CBDO da 8D Hubify, as regras de governança que limpam o pipeline, quem decide quando um negócio está perdido e como forecast e contexto dão previsibilidade às vendas.
Vicente Varela, diretor comercial e de marketing da HELLOO Mídia, mostrou como a empresa do grupo Allos trocou a disputa por volume de telas por experiências de marca, dados próprios e produtos de mídia capazes de provar retorno em vendas.