O computador é o limite
O que se faz numa tela pode, em algum grau, ir para agentes.
Eduardo Vieira, fundador e CEO da Monking, e Rodrigo Terra, sócio e VP, abriram a operação da agência, que hoje roda com agentes de IA no financeiro, no planejamento, na criação e no audiovisual. Eles mostraram o que já se paga, como os agentes se organizam e por que cultura vem antes da ferramenta.

Fundador e CEO · Monking

Sócio e VP · Monking
Em uma frase
Quase tudo que uma agência faz na frente do computador pode ser feito por agentes de IA. O diferencial está em organizá-los como um time, com um cérebro comum de contexto, e em preparar as pessoas para trabalhar com eles.
A Monking nasceu como agência voltada às áreas de inovação das empresas. Todo ano os sócios fazem uma reunião para imaginar como a empresa poderia “morrer em dois anos”. Numa delas, perceberam que a demanda das áreas de inovação estava secando, enquanto as equipes ficavam cada vez mais caras. A resposta foi uma imersão no Vale do Silício para entender como a IA poderia remontar o negócio. Dela saíram dois focos: automatizar tudo o que a agência faz, transformando o serviço em algo escalável, e aprender a construir isso dentro de casa, em vez de contratar de fora.
Como montar uma operação com agentes
Cada pessoa da Monking ganhou um time de agentes que replica a sua função, de estratégia e marca a financeiro e criação.
Uma agente “chief of staff” recebe os pedidos e distribui para o agente certo: vendas, financeiro, planejamento ou criação. Isso ganha velocidade e economiza tokens.
Uma base central, com centenas de skills, guarda contexto, materiais, contratos e, para cada cliente, posicionamento, tom de voz e identidade visual. Quanto mais o time usa, mais os agentes aprendem sobre o todo.
Em vez de usar a IA como uma busca no Google, juntar agentes com habilidades diferentes para resolver cada tipo de trabalho.
Os agentes resolveram problemas internos antes de virar serviço, há cerca de três a quatro meses.
Boa parte do trabalho com clientes é de conscientização, para que as equipes aprendam a trabalhar com agentes.
Quando o diretor financeiro saiu, a Monking decidiu testar um agente no lugar de uma contratação. Ele foi conectado ao Asana, ao Conta Azul, às contas a pagar e a receber e a todos os contratos. Ao saber que um projeto havia sido concluído, o agente vasculhou cerca de 200 contratos e encontrou uma cláusula: entrega antecipada dava direito a pagamento antecipado. O trabalho, previsto para 12 meses, foi entregue em 6, e o valor entrou antes. Para os sócios, foi a prova de que a IA se paga.
Em São Paulo, no Cubo Itaú, a pessoa é guiada por uma voz de IA para sentar, testar microfone e câmera e gravar. Em uma hora, recebe o material bruto, uma edição básica e cortes para redes sociais, sem intervenção humana. A Monking também tem estúdios em Santa Catarina (ACATE) e no Rio de Janeiro.
Durante o workshop, os agentes analisaram as respostas de um formulário preenchido pela plateia. Somaram 224 horas semanais declaradas em reuniões, e quatro pessoas relataram 60 horas por semana só nisso. Cada participante recebeu por e-mail uma análise personalizada.
A empresa precisava de cerca de 2 mil peças de mídia paga por mês e não tinha braço de design. Os agentes da Monking hoje produzem centenas de peças com o visual da marca, e a primeira rodada economizou 56 horas. Nenhuma pessoa foi substituída: o time humano ficou com as campanhas maiores.
A Monking trabalha com a tese, atribuída à Sequoia, de que a próxima empresa de um trilhão de dólares será de software disfarçada de serviço. Para o cliente, importa a entrega, não se ela foi feita por 500 pessoas ou 500 agentes. A meta é que as 40 pessoas da Monking façam o trabalho de 400.
O que se faz numa tela pode, em algum grau, ir para agentes.
O primeiro grande retorno veio do financeiro.
Roteamento gera velocidade e economia.
A Contabilizei passou a produzir o que antes não conseguia.
Ensinar a trabalhar com agentes vem antes da tecnologia.
Qualquer coisa que dá para fazer na frente de um computador de uma agência dá para fazer com agente de IA. Umas coisas são muito mais demoradas, outras mais trabalhosas ou caras, mas dá.
Eduardo Vieira
Fundador e CEO · Monking
Não é que eles tiraram um humano. Eles não tinham braço para fazer. A gente está deixando os humanos cuidarem das campanhas maiores e os agentes desdobrarem as peças.
Eduardo Vieira
Fundador e CEO · Monking
Todo ano a gente faz uma reunião para ver como a gente morre em dois anos. Numa delas, entendemos que a nossa fonte de clientes estava secando e que precisávamos de automação e inteligência artificial para achar um novo caminho para o negócio.
Rodrigo Terra
Sócio e VP · Monking
A gente monta squads com agentes especializados para determinados assuntos. Isso faz muita diferença, porque você junta times com skills diferentes para um trabalho que antes faria só com a sua experiência.
Rodrigo Terra
Sócio e VP · Monking
Título original da sessão
Agentes de IA em todo o marketing: do backoffice à edição audiovisual
Mesma trilha ou etapa
Amanda Alves, fundadora da Revenue Thinkers, abriu o dia mostrando que ter um cargo de RevOps não garante RevOps. Com dados do Panorama Brasileiro de RevOps e um olhar sobre como empresas chinesas organizam a receita, ela propôs pôr o processo do lead ao caixa acima das fronteiras entre áreas.
Marcão Andrade, CSO da 8D Hubify, apresentou oito tendências de IA para operações de receita, com casos reais, e mostrou como estudar, implantar e atravessar a fase em que tudo piora antes de melhorar.
Vicente Varela, diretor comercial e de marketing da HELLOO Mídia, mostrou como a empresa do grupo Allos trocou a disputa por volume de telas por experiências de marca, dados próprios e produtos de mídia capazes de provar retorno em vendas.