O cliente vê uma empresa só
As áreas precisam enxergá-lo da mesma forma.
Robinson Friede, diretor de Geração de Demanda e Growth Marketing da RD Station, apresentou o marketing contínuo, a disciplina que a empresa aplica internamente. Em vez de três versões do mesmo cliente, as áreas compartilham contexto em tempo real, e a IA transforma cada interação em sinal para a próxima ação.
Diretor de Geração de Demanda e Growth Marketing · RD Station
Em uma frase
Marketing não é uma área: é o que o cliente percebe em cada interação. Quando marketing, vendas e atendimento compartilham o mesmo contexto, cada contato vira sinal, e o crescimento deixa de depender de esforço extra.
Robinson abriu com uma história comum. O cliente avisou num chamado de terça que ia comprar outros produtos, mas vendas nunca soube. Ao mesmo tempo, vendas pedia mais recursos para bater a meta, e marketing gastava o orçamento em eventos e mídia sem trazer vendas. Daí a pergunta: quantos negócios se perdem por problemas que ninguém sabe que existem? Na raiz está a fragmentação. Marketing define persona, vendas trabalha com ICP e atendimento tem sua jornada: são três versões de uma mesma pessoa, que do outro lado enxerga uma empresa só. Enquanto isso, a “piscina” de clientes possíveis encolhe, os concorrentes se multiplicam e todos usam as mesmas táticas. O cenário também ficou mais complexo do que o de 2013, quando o funil era linear e o inbound dominava. Segundo dados apresentados por Robinson, hoje a decisão de compra B2B passa por cerca de sete fontes, 94% das pessoas usam IA na jornada de compra e as vendas complexas envolvem três ou mais áreas. Colocar IA nesse cenário de forma isolada só acelera a fragmentação: há muitos casos de uso individuais e pouco valor para o negócio.
Os quatro pilares do marketing contínuo
Marketing e vendas veem o mesmo cliente, ao mesmo tempo, com a mesma profundidade. Quando o lead pede contato, vendas já sabe o que ele viu e com o que interagiu, e a conversa começa do meio.
A operação reage ao contexto do cliente em vez de seguir playbooks rígidos. Um sinal de desengajamento aciona o atendimento antes do cancelamento, com gatilhos de retenção e de expansão.
Cada interação vale mais que a anterior. Cliente bem-sucedido vira case, o case vira conteúdo e o conteúdo atrai clientes parecidos. A receita cresce na base, que é mais barato do que conquistar clientes novos.
É a camada de dados que sustenta tudo. Se o cliente comenta num ticket que vai abrir a segunda loja, essa frase precisa virar dado para marketing e oportunidade para vendas.
Um ticket bem resolvido, uma proposta de vendas que entende a dor do cliente e uma campanha que gera valor constroem a marca da mesma forma. Por isso o marketing contínuo é uma disciplina, e não um projeto de IA, uma campanha ou uma metodologia. O inbound continua existindo, mas como uma tática entre várias, ao lado de community-led growth, product-led growth, mídia paga e indicações.
Robinson citou um case apresentado pela Anthropic no SaaStr. A empresa não abandonou nenhum software, mas criou uma interface que conecta os sinais e o contexto de todos eles. Para ele, a ferramenta sozinha não resolve: o que muda o resultado é a forma de operar.
O time de marketing saiu de IAs pessoais e usos desordenados para um sistema único. Ele tem agentes de projetos, que criticam e melhoram estratégias; agentes de performance, que vão da análise descritiva à prescritiva; e agentes de produção, que criam briefings, automações e peças. Por trás está o “Cérebro RD”, uma base de conhecimento curada por uma pessoa responsável e conectada a ferramentas como Figma, Jira e Slack.
É a camada que estava sendo implantada. Ela leva ao marketing, em tempo real, as principais objeções de vendas, os concorrentes mais citados, os motivos de perda e ganho, as reclamações do atendimento e o contexto financeiro, como inadimplência por segmento.
Manual; copiloto, em que a pessoa faz e a IA ajuda; orquestrado, em que a IA faz e a pessoa valida; e autônomo. Para Robinson, a maioria das empresas ainda está entre o copiloto e o orquestrado.
Marketing passa de gerador de demanda que segue calendário a arquiteto de informação e demanda, que calibra campanhas em tempo real. Vendas passa de máquina de fechamento que começa do zero a motor de receita diagnóstico, que devolve aprendizados ao marketing. E o atendimento passa de suporte reativo a centro de inteligência de crescimento, em que cada ticket é um sinal.
As áreas precisam enxergá-lo da mesma forma.
Valor vem da conexão, não do uso individual.
O atendimento pode prever churn e encontrar expansão.
Alguém precisa curar o que alimenta os agentes.
A meta de Robinson na RD Station é receita, não lead nem tráfego.
O marketing não é uma área que faz. Ele é o que o cliente percebe no fim. É uma marca construída continuamente em cada interação que ele tem.
Robinson Friede
Diretor de Geração de Demanda e Growth Marketing · RD Station
Se essas caixinhas estão todas separadas, a possibilidade de usar IA de forma eficiente para o negócio fica muito pequena. Com input genérico, sem base de conhecimento e sem dados circulando, o output da IA também vai ser genérico.
Robinson Friede
Diretor de Geração de Demanda e Growth Marketing · RD Station
Título original da sessão
Marketing Contínuo: por que crescimento exponencial só acontece quando Marketing, Vendas e Atendimento falam a mesma língua
Mesma trilha ou etapa
Vicente Varela, diretor comercial e de marketing da HELLOO Mídia, mostrou como a empresa do grupo Allos trocou a disputa por volume de telas por experiências de marca, dados próprios e produtos de mídia capazes de provar retorno em vendas.
Zach Fox, CMO da Caju, e Vitor Peçanha, fundador da PbyP School, debateram com mediação de Debora Veras, da MoEngage, como escolher a métrica certa, quando ser rápido, como vigiar o que a IA faz e por que a empresa precisa de uma única fonte de verdade.
Ana Carvalho, criadora do Social Media Thinking, e Henrique Azeredo, fundador do Patties, debateram com mediação de Carol Lima, da 8D Hubify, como tom de voz próprio, transparência e encantamento constroem comunidade, inclusive em vendas complexas.