Média é o risco
Marca sem voz própria, ou escrita por IA, fica igual a todas.
Ana Carvalho, criadora do Social Media Thinking, e Henrique Azeredo, fundador do Patties, debateram com mediação de Carol Lima, da 8D Hubify, como tom de voz próprio, transparência e encantamento constroem comunidade, inclusive em vendas complexas.
Criadora · Social Media Thinking
Fundador · Patties
Diretora de Social Media · 8D Hubify
Em uma frase
Marcas B2B humanas não são as que falam de um jeito descolado. São as que entendem com quem estão falando, assumem os próprios erros e cuidam da experiência do cliente do primeiro contato ao pós-venda.
Ao abrir o painel, Carol Lima propôs um exercício: esquecer o CNPJ por 40 minutos. O mercado passou décadas acreditando que, para vender para outra empresa, era preciso ser frio, impessoal e técnico, como se fechar contratos exigisse distância. Mas quem consome e quem se conecta é sempre um ser humano. Carol lembrou ainda que, além do medo de errar, muitas empresas B2B travam pelo medo de perder credibilidade. Para Ana, o corporativismo aparece em três armadilhas: olhar só para a conversão, esquecendo a jornada inteira até ela; se preocupar tanto com os concorrentes que a marca tenta caber no “quadradinho” do mercado; e deixar o posicionamento nas mãos de ferramentas como o ChatGPT, o que leva a marca para a média. Henrique acrescentou o medo: o de falhar e, no B2B, o de quem compra ser demitido por uma escolha errada.
Quatro práticas para humanizar uma marca B2B
No Patties, o índice que orienta a empresa é funcionário feliz e cliente feliz, e a venda vem como consequência. Henrique lembrou que o marketing nasceu para entender e ajudar o cliente, e que hoje há mais ferramentas para isso do que nunca, mas se entende o cliente cada vez menos.
No B2B há quem decide, quem compra e quem usa. Um tom mais formal pode fazer sentido com o jurídico ou o financeiro. O ponto é saber com quem se fala, e não ser descolado por obrigação.
Uma voz própria atrai críticas no começo, mas, com consistência, o público passa a apoiar a marca justamente quando ela erra. Empoderar quem está na ponta e deixar colaboradores falarem pela marca reforça isso. Como resumiu Carol, é essa transparência que vai criando conexão e comunidade.
Para Ana, o cliente vira fã pela experiência completa: implantação, acompanhamento e uma comunicação clara quando algo dá errado. Sem isso, o fã vira detrator ou indiferente.
No início, Henrique decidiu se comunicar do seu jeito, com erros de português incluídos, e recebia críticas a cada post. Com o tempo, um erro publicado virou “apoiamento”: os seguidores responderam que era por isso que amavam a marca.
Quando um navio vindo da Bélgica atrasou e faltou batata na rede, o Patties comprou batatas no mercado, explicou a situação em um adesivo nas embalagens e contou tudo nas redes. Segundo Henrique, as vendas cresceram quase 30% no mês.
O Patties faz de 10 a 15 gestos por semana para clientes, a partir do que eles compartilham nas redes. Um cliente que reclamou de um pedido incompleto, depois de também ter tido problemas com McDonald’s e Pizza Hut na mesma semana, recebeu no pedido seguinte um lanche das três redes.
O chocolate da Turma da Mônica, da campanha de Dia das Crianças, tinha retorno financeiro ruim pelo custo de produção e impostos, mas valeu pela memória afetiva. Henrique contou que o Patties se tornou a hamburgueria que mais vende no delivery em São Paulo, sem metas agressivas de vendas.
Ana citou HubSpot, Salesforce e, no Brasil, a RD Station como exemplos de tom ajustado por canal: mais aprofundado no blog, mais leve no Instagram e próprio no atendimento.
Marca sem voz própria, ou escrita por IA, fica igual a todas.
B2C e B2B mudam as peças, mas ambos vendem para pessoas.
Quanto menor a distância entre empresa e cliente, mais o cliente defende a marca no erro.
Pós-venda e comunicação empática pesam mais que o post.
Gestos de marca constroem lembrança que o cálculo de curto prazo não captura.
Às vezes as pessoas se preocupam muito em tentar se encaixar dentro dos quadradinhos do seu mercado, do seu nicho. E justamente o que vai te diferenciar é você ser diferente, ter a sua personalidade, ter a sua voz.
Ana Carvalho
Criadora · Social Media Thinking
O que vai transformar esse consumidor distante em consumidor próximo é a experiência. Deu ruim no produto ou no serviço? Comunique claramente e ofereça uma solução. Experiência aliada a uma comunicação empática é o combo perfeito.
Ana Carvalho
Criadora · Social Media Thinking
O tabuleiro do B2C e do B2B é o mesmo, o que muda são as peças. No B2C eu não tenho chance de ser demitido por comprar um produto errado. No B2B tem esse medo. Por isso tem que empoderar a ponta e deixar ela errar.
Henrique Azeredo
Fundador · Patties
Quando você humaniza, vai diminuindo o gap entre a empresa e o cliente. E, quando diminui esse gap, o cliente te apoia quando você erra, porque ser humano apoia ser humano.
Henrique Azeredo
Fundador · Patties
O mercado passou décadas acreditando que, para vender para outra empresa, era preciso ser frio, impessoal, trazer termos mais técnicos. Só que é o ser humano que consome, é o ser humano que se conecta.
Carol Lima
Diretora de Social Media · 8D Hubify
Título original da sessão
Marcas com alma: o futuro do B2B é Human-to-Human
Mesma trilha ou etapa
Beatriz Guarezi, fundadora da Bits to Brands, mostrou por que humanizar a comunicação não basta. Sem clareza e consistência, até a marca mais simpática vira ruído, e agora ela também precisa ser lembrada pelas pessoas e recomendada pelas IAs.
Na abertura do RevOps Summit, Fabio Duran, CEO da 8D Hubify, explicou por que integrar marketing, vendas, CS, finanças e RH sobre uma base de dados comum virou condição para crescer com eficiência, inclusive na era da IA.
Rodrigo Lóssio, da Dialetto, mostrou como conectar relações públicas a cada etapa da jornada de receita, com cases, métricas e um exercício prático para cada fase.