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Coordenar custa mais que executar: por que RevOps virou inevitável

Na abertura do RevOps Summit, Fabio Duran, CEO da 8D Hubify, explicou por que integrar marketing, vendas, CS, finanças e RH sobre uma base de dados comum virou condição para crescer com eficiência, inclusive na era da IA.

09h00Palco principalPublicado em 15/10/2026
Fabio Duran

CEO · 8D Hubify

Em uma frase

RevOps é uma interdisciplina: cada área mantém sua profundidade, mas todas passam a operar como um único sistema de receita, sobre dados centralizados e com incentivos alinhados.

Para quem é

  • Lideranças de marketing, vendas, CS e operações de receita.
  • Executivos de finanças e RH que influenciam metas, orçamento e remuneração.
  • Quem está avaliando CRM, IA ou automação na operação.

O que você vai aprender

  • O que é RevOps de forma simples, sem jargão.
  • Por que finanças e RH também precisam sentar à mesa.
  • Como metas e bônus moldam o comportamento das equipes.
  • O método centralizar, normalizar e disponibilizar dados.
  • Por que IA sobre dado ruim escala o problema em vez de resolvê-lo.

O problema

As empresas cresceram criando especialistas, e cada área passou a otimizar os próprios objetivos. A conta aparece na coordenação. Um estudo da McKinsey com uma indústria da Fortune 500 mostrou que as etapas de um fluxo levavam de 12 a 24 horas de trabalho, mas a espera entre equipes somava de 9 a 18 dias. Fabio contou o caso de um cliente que a 8D Hubify atendeu por dois anos e meio. Nele, os diretores comercial e de marketing não se falavam, e as decisões de uma área eram tomadas apesar da outra. A empresa crescia, mas havia um custo invisível que em algum momento seria cobrado. Somado a isso, vem a pressão de sempre: orçamento menor, meta maior e responsabilidade pela previsão.

O método

Cinco movimentos para uma operação conectada

01

Tratar RevOps como interdisciplina

RevOps alinha e otimiza marketing, vendas e CS em um único sistema de receita. As áreas dependem umas das outras para gerar um resultado maior do que gerariam isoladas. A definição foi trabalhada por Fabio e Marcão Andrade no livro que os dois vão lançar.

02

Trazer finanças e RH para a mesa

O CFO define meta e orçamento. Bater a meta de leads ou vender o maior contrato não basta se a margem não acompanha. O RH entra porque cada venda ou produto novo pede pessoas e competências. Só com todos integrados dá para decidir quais contas abordar, qual oferta levar e qual o ritmo saudável de expansão.

03

Alinhar incentivos

Muitas empresas pedem colaboração, mas premiam o individualismo e a equipe que bate a própria meta, e não a empresa. Remuneração, promoção, desligamento e avaliação reforçam atitudes. Fabio citou a frase de Gustavo Avelar, vice-presidente da TOTVS para a unidade RD Station: “Diga-me como me cobrará e te direi como me comportarei”.

04

Centralizar, normalizar e disponibilizar os dados

Antes de discutir qual plataforma contratar, a empresa precisa ter sua base proprietária e confiável. Normalizar é o passo mais difícil. Se vendas chama de cliente ativo quem assinou, finanças quem pagou e CS quem usa, cada área entrega um número diferente na hora de decidir.

05

Usar IA para potencializar, não como santo graal

Com IA, a capacidade de customizar ferramentas cresceu muito. Projetos que antes pediam CRMs caros hoje se resolvem em um ou dois meses, independentemente da ferramenta. Mas o gargalo agora é gente que saiba estruturar e operar IA no negócio.

Na prática

O perfil que virou pet shop

Em um exemplo trazido por Vitor Peçanha, um time de social media era remunerado por engajamento. No fim do mês, repetia o tipo de post que mais engajava: fotos do dia em que os funcionários levavam os pets ao escritório. Meses depois, o CEO viu que o perfil parecia de pet shop, e não de uma empresa de conteúdo.

Wells Fargo

Gerentes avaliados, promovidos e remunerados pelo volume de contas abertas passaram a abrir contas sem pedido dos clientes. O caso terminou em investigação regulatória. Os dois exemplos ilustram a Lei de Goodhart: quando uma métrica vira meta, deixa de medir bem.

SaaS Apocalypse e o perigo do copiar e colar

O mercado apelidou de SaaS Apocalypse a forte queda das ações de empresas de software, com investidores preocupados com a monetização dos produtos diante da IA. Em resposta, empresas SaaS americanas testam cobrança por consumo ou resultado em vez de assinatura por usuário. No Brasil, com juros altos e margem apertada, o cliente tem dificuldade de se planejar sem saber quanto vai gastar. A reflexão sobre adaptar a tendência à realidade brasileira veio de material de Raphael Godoy, CRO da Kamino.

Dados ruins no Brasil

No Panorama Brasileiro de RevOps, da Revenue Thinkers com a Universidade Previsível, dois terços dos respondentes disseram não ter tempo para atuar estrategicamente e relataram baixa qualidade dos dados. Nesse cenário, IA que automatiza análises sobre dados ruins amplia o problema.

Audaces e Zucchetti

As duas empresas adquirem outras e precisam integrar bases de clientes para vender o portfólio cruzado. Isso só funciona com processos padronizados e dados centralizados, normalizados e disponíveis. O case foi aprofundado em outra sessão do evento.

IKEA

O chatbot Billie passou a resolver 47% dos chamados sem humanos. Em vez de demitir, a empresa capacitou 8.500 atendentes para atuar como consultores de design de interiores a distância.

Erros comuns

  • Pedir colaboração e premiar o individualismo.
  • Comemorar a meta da área sem olhar a margem da empresa.
  • Criar metas isoladas que viram alvo e distorcem o comportamento.
  • Escolher a ferramenta antes de organizar a base de dados.
  • Colocar IA sobre dados de baixa qualidade.
  • Copiar modelos americanos sem considerar a realidade brasileira.

Insights para guardar

01

Coordenação custa mais que execução

A espera entre equipes pode ser muito maior que o tempo de trabalho em si.

02

RevOps vai além do funil

Sem finanças e RH na mesa, a meta batida pode não ser crescimento saudável.

03

O incentivo é a estratégia real

O que a empresa cobra e premia define o comportamento, mais do que o discurso.

04

Normalizar é decidir um conceito

Uma definição comum de “cliente ativo” vale mais que qualquer painel.

05

IA amplifica o que já existe

Com dado bom, acelera; com dado ruim, escala o erro.

06

O gargalo agora é gente

Faltam profissionais que saibam estruturar e operar IA no negócio.

Frases dos palestrantes

Ao falar sobre como metas e bônus moldam o comportamento das equipes

Vejo muito líder pedindo colaboração, trabalho junto com a equipe do lado. Mas, quando a gente olha a remuneração variável, os bônus e os programas de desenvolvimento, continua premiando o colaborador mais individualista. Continua premiando a equipe que bate a meta, e não a empresa que bate a meta.

Fabio Duran

CEO · 8D Hubify

Ao comentar a promessa de que a IA resolve tudo

A gente está sempre buscando um santo graal, e a IA é o novo santo graal. Só que trazer IA para dentro das empresas não é a solução. A gente precisa entender, construir estrutura e saber operar.

Fabio Duran

CEO · 8D Hubify

Leve para segunda-feira

Título original da sessão

Por que RevOps se tornou inevitável?

Keynote · 09h00 · Palco principal

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