Coordenação custa mais que execução
A espera entre equipes pode ser muito maior que o tempo de trabalho em si.
Na abertura do RevOps Summit, Fabio Duran, CEO da 8D Hubify, explicou por que integrar marketing, vendas, CS, finanças e RH sobre uma base de dados comum virou condição para crescer com eficiência, inclusive na era da IA.
CEO · 8D Hubify
Em uma frase
RevOps é uma interdisciplina: cada área mantém sua profundidade, mas todas passam a operar como um único sistema de receita, sobre dados centralizados e com incentivos alinhados.
As empresas cresceram criando especialistas, e cada área passou a otimizar os próprios objetivos. A conta aparece na coordenação. Um estudo da McKinsey com uma indústria da Fortune 500 mostrou que as etapas de um fluxo levavam de 12 a 24 horas de trabalho, mas a espera entre equipes somava de 9 a 18 dias. Fabio contou o caso de um cliente que a 8D Hubify atendeu por dois anos e meio. Nele, os diretores comercial e de marketing não se falavam, e as decisões de uma área eram tomadas apesar da outra. A empresa crescia, mas havia um custo invisível que em algum momento seria cobrado. Somado a isso, vem a pressão de sempre: orçamento menor, meta maior e responsabilidade pela previsão.
Cinco movimentos para uma operação conectada
RevOps alinha e otimiza marketing, vendas e CS em um único sistema de receita. As áreas dependem umas das outras para gerar um resultado maior do que gerariam isoladas. A definição foi trabalhada por Fabio e Marcão Andrade no livro que os dois vão lançar.
O CFO define meta e orçamento. Bater a meta de leads ou vender o maior contrato não basta se a margem não acompanha. O RH entra porque cada venda ou produto novo pede pessoas e competências. Só com todos integrados dá para decidir quais contas abordar, qual oferta levar e qual o ritmo saudável de expansão.
Muitas empresas pedem colaboração, mas premiam o individualismo e a equipe que bate a própria meta, e não a empresa. Remuneração, promoção, desligamento e avaliação reforçam atitudes. Fabio citou a frase de Gustavo Avelar, vice-presidente da TOTVS para a unidade RD Station: “Diga-me como me cobrará e te direi como me comportarei”.
Antes de discutir qual plataforma contratar, a empresa precisa ter sua base proprietária e confiável. Normalizar é o passo mais difícil. Se vendas chama de cliente ativo quem assinou, finanças quem pagou e CS quem usa, cada área entrega um número diferente na hora de decidir.
Com IA, a capacidade de customizar ferramentas cresceu muito. Projetos que antes pediam CRMs caros hoje se resolvem em um ou dois meses, independentemente da ferramenta. Mas o gargalo agora é gente que saiba estruturar e operar IA no negócio.
Em um exemplo trazido por Vitor Peçanha, um time de social media era remunerado por engajamento. No fim do mês, repetia o tipo de post que mais engajava: fotos do dia em que os funcionários levavam os pets ao escritório. Meses depois, o CEO viu que o perfil parecia de pet shop, e não de uma empresa de conteúdo.
Gerentes avaliados, promovidos e remunerados pelo volume de contas abertas passaram a abrir contas sem pedido dos clientes. O caso terminou em investigação regulatória. Os dois exemplos ilustram a Lei de Goodhart: quando uma métrica vira meta, deixa de medir bem.
O mercado apelidou de SaaS Apocalypse a forte queda das ações de empresas de software, com investidores preocupados com a monetização dos produtos diante da IA. Em resposta, empresas SaaS americanas testam cobrança por consumo ou resultado em vez de assinatura por usuário. No Brasil, com juros altos e margem apertada, o cliente tem dificuldade de se planejar sem saber quanto vai gastar. A reflexão sobre adaptar a tendência à realidade brasileira veio de material de Raphael Godoy, CRO da Kamino.
No Panorama Brasileiro de RevOps, da Revenue Thinkers com a Universidade Previsível, dois terços dos respondentes disseram não ter tempo para atuar estrategicamente e relataram baixa qualidade dos dados. Nesse cenário, IA que automatiza análises sobre dados ruins amplia o problema.
As duas empresas adquirem outras e precisam integrar bases de clientes para vender o portfólio cruzado. Isso só funciona com processos padronizados e dados centralizados, normalizados e disponíveis. O case foi aprofundado em outra sessão do evento.
O chatbot Billie passou a resolver 47% dos chamados sem humanos. Em vez de demitir, a empresa capacitou 8.500 atendentes para atuar como consultores de design de interiores a distância.
A espera entre equipes pode ser muito maior que o tempo de trabalho em si.
Sem finanças e RH na mesa, a meta batida pode não ser crescimento saudável.
O que a empresa cobra e premia define o comportamento, mais do que o discurso.
Uma definição comum de “cliente ativo” vale mais que qualquer painel.
Com dado bom, acelera; com dado ruim, escala o erro.
Faltam profissionais que saibam estruturar e operar IA no negócio.
Vejo muito líder pedindo colaboração, trabalho junto com a equipe do lado. Mas, quando a gente olha a remuneração variável, os bônus e os programas de desenvolvimento, continua premiando o colaborador mais individualista. Continua premiando a equipe que bate a meta, e não a empresa que bate a meta.
Fabio Duran
CEO · 8D Hubify
A gente está sempre buscando um santo graal, e a IA é o novo santo graal. Só que trazer IA para dentro das empresas não é a solução. A gente precisa entender, construir estrutura e saber operar.
Fabio Duran
CEO · 8D Hubify
Título original da sessão
Por que RevOps se tornou inevitável?
Mesma trilha ou etapa
Ana Carvalho, criadora do Social Media Thinking, e Henrique Azeredo, fundador do Patties, debateram com mediação de Carol Lima, da 8D Hubify, como tom de voz próprio, transparência e encantamento constroem comunidade, inclusive em vendas complexas.
Beatriz Guarezi, fundadora da Bits to Brands, mostrou por que humanizar a comunicação não basta. Sem clareza e consistência, até a marca mais simpática vira ruído, e agora ela também precisa ser lembrada pelas pessoas e recomendada pelas IAs.
Rodrigo Lóssio, da Dialetto, mostrou como conectar relações públicas a cada etapa da jornada de receita, com cases, métricas e um exercício prático para cada fase.